Entrevistas | 11 março 2014

Tito Ferrara do design ao grafitte

Do escritório para as ruas, conheça a liberdade criativa das ruas com Tito Ferrara.

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Essa semana tive a oportunidade de entrevistar Tito Ferrara, um ex diretor de arte que largou o escritório e decidiu viver de arte urbana. O cara é tão fera que sua arte foi parar em um dos modelos clássicos de tênis da marca Vans. Convido vocês a conhecer Tito Ferrara.

Quem é Tito Ferreira?

Tito Ferreira realmente eu não sei quem é também.
Mas Tito Ferrara sou eu!

 

Conheci o seu trabalho, procurando alguns trabalhos undergrounds na internet e fiquei muito feliz ao ouvir sobre seu trabalho no Nerdcast. Resumidamente como foi o início de sua carreira, porque viver de arte urbana?

O início do meu trabalho como trabalho mesmo foi durante meu curso da faculdade de design gráfico. Na verdade fiz esse curso porque tinha receio de seguir como ilustrador ou como artista. Tinha medo de virar mendigo. hahahahah. Na minha sala inclusive, muitos tinham uma história muito similar a minha. Queriam ser ilustradores e pelo medo de ausência de “mercado” correram para uma profissão mais consolidada e a mais próxima do ideal ilustrador, que na época era a de designer.

Durante o curso comecei um estágio em uma grande agência de branding, a FutureBrand. Depois de la fui trabalhar com direção de arte de moda e entre outros trabalhos. Em todos trabalhos como designer ou diretor de arte, mas sempre puxei meus trabalhos para algo mais artístico.

A quebra real do Tito designer para o Tito artista, foi há 3 anos atrás, quando após desentendimentos dentro da agência que era sócio, desfiz a sociedade e parti para a carreira solo. Fui no espírito “ou vai ou racha”. Felizmente nessa quebra, já tinha trabalhos em paralelo como graffiteiro, que aumentaram a demanda quando pude me dedicar exclusivamente a isso.

 

O seu trabalho é bem característico e marcante, como é o seu processo de criação?

Não tenho um processo muito linear de criação. Até porque cada trabalho é muito diferente um do outro. Um dia trato com uma agência de publicidade, outro dia com uma equipe de marketing, outro dia com um advogado que quer pintar a parede da casa dele…. E muitas vezes trato comigo mesmo em trabalhos pessoais.

O trabalho característico, ou estilo de traço, vem naturalmente com a produção. No início sempre as influencias são mais evidentes no trabalho de qualquer um. Mas com o tempo e produção, o seu traço vai retratando você mesmo. É como uma compilação de tudo que já fez e deu certo (ou não), e influencias externas.

 

Na sua série de colagens vemos animais retratados, qual o motivo?

Essa série de trabalhos é o SELVATION. Basicamente é uma intervenção que fiz com animais re-invadindo seu espaço de origem que nós humanos invadimos.
É uma Re-invasão da selva (de pedra) pela selva. Por isso, SELVATION.

A intenção é as pessoas refletirem de diversas formas. Podem ter uma leitura ecológica, podem ter uma leitura de territórios ou simplesmente uma estética, tirando um pouco da correria de todo dia e perceberem mais a cidade que vivem.

Os animais estão aí pra isso. Cada um deles com seu interesse pessoal, cada um com seu ideal. Porém todos com fome e focados.

Esse ano vou testar novas técnicas de intervenções pro SELVATION. Outro dia mesmo fiz uma onça-pintada com latéx e spray na Av. 23 de Maio em São Paulo.

 

Qual a maior dificuldade que já passou?

A maior dificuldade que já passei é quase um clichê se você perguntar para outros artistas brasileiros.
É a grana! Sobreviver de arte não é nada fácil. Tratando de Brasil então….

Mas é isso. Uma luta todo dia. A cada trabalho fazer o melhor possível e ir atrás daquilo que escolhi fazer.

 

Qual a sua maior influencia? Por que?

Tento não buscar inspirações apenas no mundo do graffite para não ser “mais um”.

Exemplos de artistas que acompanho o trabalho de perto são Davi Calil e Julia Bax que vieram dos quadrinhos e expandiram os universos em outras técnicas e linguagens.

Até porque grandes nomes e grandes inspirações minhas do graffite brasileiro, como os irmãos Titi Freak e Whip (Hamiltom e Rodrigo Yokota), são caras que não ficam presos apenas ao Spray e vão muito além disso.

 

Pretende levar seus trabalhos pra fora do país?

Com certeza! Meu maior objetivo é mostrar minha arte para o maior número de pessoas no Brasil e no mundo.

(onde prefere registrar seus trabalho) Muros ou tela?
Não tenho uma preferencia. Mas o muro com certeza é algo que gera um impacto muito maior. A tela é quase uma recordação (para quem adquire uma minha) de algo que viu no muro.

 

Que materiais Gosta de usar?

O Spray é foda. É um instrumento rápido e muito versátil. Consigo tirar desde um traço bem definido à algo totalmente esfumaçado e sem definição.
Mas todas técnicas que estudo somam umas as outras. O que estudo na aquarela ou guache, aplico para o spray, e o contrário também.

Gosto de usar tudo. Cada semana é um preferido. O lance é pintar!

 

Qual o concelho você daria pra quem quer entrar nesse mundo da cultura underground?

Conselho é muita pretenção eu passar. Mas a cultura underground é sair fazendo. Ela nasceu assim. Sem regra e sem técnica definida.
Cada um faz querendo passar uma mensagem diferente.

A unica coisa em comum em toda cultura underground é a que todos querem se expressar de alguma forma.

Então se fosse dar um conselho seria algo como:
Quer fazer? Então saia da frente desse computador e FAÇA!

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Gostou do trabalho dele? Acesse: site | facebook | instagramTodas as imagens são de direito de Tito Ferrara.

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Sobre o Autor

Douglas Zanon

Diretor de arte formado em computação gráfica apaixonado pela arte. Atualmente trabalhando com agências de publicidade, grupos de teatro e freelances em Brasília.

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