Eventos | 14 dezembro 2016

Um resumo do que foi o Pixel Show 2016 – Parte II

Palestrantes do mundo todo ajudaram a firmar o evento como o maior da América Latina.

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Ponto alto do Pixel Show 2016, o auditório de palestrantes trouxe criativos do mundo inteiro das mais diversas áreas, design, animação, games, ilustração, mapping, música, fotografia, quadrinhos, grafitti, efeitos especiais, entre outros. Não foi possível acompanhar todas, mas tentarei contar como foi as melhores palestras. Leia a primeira parte sobre o restante do evento aqui.

Daniel Bruson

Apesar do ritmo lento e da fala mansa de Daniel Bruson, foi uma das melhores palestras do festival, na minha opinião. Isso porque o animador não falou somente sobre sua trajetória, mas sim sobre como deu seus primeiros passos na área, o processo e a evolução do seu trabalho.

O destaque fica para a animação “Pete’s Story”, um comercial para uma ONG inglesa que foi selecionada para o Animamundi 2016. Daniel contou como foi abordado para fazer o trabalho após de ter feito a sequencia de abertura do curta “A Valsa Do Pódio”. A animação ilustra um relato verdadeiro de um menino que sofreu violência de sua mãe durante a infância no Reino Unido. Ele explicou como foi difícil o processo de idealizar cada cena por não saber como é a infância de uma criança inglesa e muito menos ter passado por um trauma do tipo. A ideia resumiu-se em transmitir uma mistura de medo, solidão e a iminência de violência. Cada quadro foi pintado a mão e montado separadamente na pós-produção. Foram cinco meses de trabalho e mais de mil pinturas.

Ele também mostrou o processo de outros trabalhos, como o clipe “Ciúmes” no qual aceitou a proposta de fazer uma animação com cores fortes e o sadismo ao estilo “Comichão e Coçadinha” (Itchy & Scratchy).

Além da animação, Daniel se arrisca no Design Gráfico e é o responsável pela a identidade do Festival Febre.

Studio Bleed

Única mulher a subir no palco do Pixel Show 2016, Astrid Feldner trouxe um pouco das realizações do seu estúdio de design. O Bleed se encontra em três cidades da Europa, Oslo, Viena e Paris e está no top 10 do Creative Agencies Awards. Astrid é a responsável pelo o estúdio em Viena e falou sobre alguns dos seus trabalhos como a exibição “Urban Future” exposta no Technisches Museum Wien. Não sobraram rádios tradutores nessa palestra, então não pude captar muita coisa, pois o inglês dela era carregado de sotaque austríaco e não consegui entender muito bem.

Gabriel Bá e Fábio Moon

Talvez a atração brasileira mais reconhecida internacionalmente, os irmãos gêmeos quadrinistas contaram como foi a trajetória desde criações de zines independentes até a publicação de HQ’s internacionais. A carreira dos irmãos é notável pelos feitos realizados, como ter um prêmio Jabuti (o mais importante prêmio literário do Brasil), o primeiro para uma HQ, pela adaptação de “O Alienista”, livro de Machado de Assis. Além do percurso até o sucesso, eles falaram sobre o processo de trabalho, como ficar até 3 anos entre uma publicação e outra, ou a difícil adaptação em desenhar de formas diferentes e receber criticas um do outro.

Eu poderia explanar mais sobre a palestra, mas são muitos detalhes para serem lembrados. O que posso deixar registrado é uma dica deles: não comece e pare um projeto antes do fim, você precisa sempre finaliza-lo. Uma maneira de trabalhar no seu erro (aquilo que não está achando tão bom) afim de evoluir.

Barbatuques

Responsáveis pelo o encerramento do festival, o grupo de músicos animaram o auditório com bastante interação. Quatro integrantes estiveram lá: André Hosoi, Giba Alves, Marcelo Pretto e Renato Epstein. Eles contaram toda a história deles, desde o princípio com a ideia de fazer do corpo um instrumento musical de inúmeras possibilidades de extração de sons, até as conquistas mais recentes, como a trilha sonora dos filmes “Rio 2” e “O Menino e o Mundo”.

O diferente ficou em fazer junto a plateia um barulho de chuva, desde um sereno até uma tempestade. Aliás, você sabe reproduzir com a boca o som de uma gota de chuva?

David Polonsky

Com um trabalho indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro em 2009 por “Waltz with Bashir”, ele contou sobre toda sua trajetória profissional, desde do início em Israel como ilustrador de livros infantis até os dias atuais.

Tudo começou com um convite para ilustrar o livro “Moonless Night”, que conta a história de uma garotinha que ao não encontrar a lua no céu e sai a sua procura durante a noite. Depois disso surgiram outros convites para diversos trabalhos semelhantes, até ele ser encorajado a criar suas próprias histórias, o que acabou rendendo a série de ilustrações “L’Élixir D’Amour” que trouxe histórias um pouco peculiares como a da rainha bastante apegada ao filho que não quis que ele nascesse, criando-o na barriga até a fase adulta, de onde ele regia o reino.

Uma das ilustrações de Polonsky para o livro "Moonless Night" de Shira Geffen e Etgar Keret

Uma das ilustrações de Polonsky para o livro “Moonless Night” de Shira Geffen e Etgar Keret

L'Élixir D'Amour de David Polonsky

O Elixir do Amor David Polonsky

Polonsky também falou sobre o processo de trabalho para o filme “Waltz with Bashir”. Ele conta como foi topar o desafio de fazer um filme sem saber fazer animação e quase sem nenhum recurso disponível. Ele aprendeu a usar o Adobe Flash e com a ideia de tentar economizar tempo e dinheiro, ao invés de fazer um desenho para cada frame, ele fazia apenas um e o desfragmentava no Flash para fazer a animação, algo “inovador” no ano de 2006.

O filme escrito e dirigido por Ari Folman no formato de documentário animado e direção de arte de David Polonsky, retrata as tentativas de Folman, um veterano da Guerra do Líbano de 1982, de recuperar as suas memórias perdidas dos eventos que marcaram o massacre de Sabra e Shatila.

Polonsky desde 1999 até os dias de hoje ensina animação e ilustração na Bezalel Academy of Art and Design em Jerusalém, onde se graduou.

Spectral Motion

A palestra de maior público e talvez a mais aguardada, o casal Mike e Mary Elizalde – fundadores do Spectral Motion – fecharam a noite de sábado. O motivo do anseio é resultado do trabalho desenvolvido pelo estúdio em diversos filmes de Hollywood (mais de 80), tais como “X-men – Dias de um Futuro Esquecido“, “Hellboy II – O Exército Dourado” (que rendeu uma indicação ao Oscar), “Birdman“, “Círculo de Fogo” e a série da Netflix “Stranger Things“.

Quem assumiu o microfone foi Mike que contou sobre a origem do seu interesse em maquiagem, inspirado na infância pelos monstros que assistia em filmes de terror como Frankenstein (1931) e O Monstro da Lagoa Negra (1954). Após ler um livro de Lee Baygan, uma referência no assunto, Mike montou seu portfólio afim de conseguir seu primeiro emprego, posteriormente se estabelecendo como um dos principais nomes do mercado.

Ele relatou sobre a experiência de trabalhar com umas das pessoas que sempre admirou no mundo do “terror fantástico”, Guillermo del Toro, ressaltando como era gratificante atrelar seu trabalho com a satisfação pessoal. Também falou da evolução necessária em um dado momento da industria de utilizar animatronics, e como foi sua experiência em aprender e buscar pessoas capacitadas para trabalhar com ele. Assim como também a quase extinção dos efeitos práticos em Hollywood, contando como foi importante adaptar seu trabalho com novas tecnologias, sabendo que a maquiagem e efeitos práticos podem funcionar bem junto com a computação gráfica.

No fim da palestra ele fez algumas demonstrações com animatronics. Uma cabeça de minotauro e um exoesqueleto de um lobo que mudavam suas feições por um controle remoto. O auditório adorou.

Mike Elizalde demonstrando um animatronic.

Mike Elizalde demonstrando um animatronic.

Exoesqueleto animatronic de um lobo.

Exoesqueleto animatronic de um lobo.

 

Bem, isso foi tudo que consegui trazer pra vocês. O Pixel Show 2017 já está marcado para os dias 21 e 22 de outubro, então você que gostou do conteúdo desse ano pode ter certeza que a próxima edição será melhor. Nos vemos lá?

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Sobre o Autor

Ramires Silva

Publicitário que não vive sem música, cinema e uma dose de teoria de conspiração. Reside em Brasília e ganha a vida como designer e developer.

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